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    FESTAS DO PADROEIRO – Santo António - 2009

    PROGRAMA GERAL

    Mensagem da Equipa de Animação

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    Amigos patrocinadores, apoiantes e conterrâneos em geral. Aqui estamos, de novo, a levar a efeito aquela que é já a 6a edição consecutiva da Festa de Santo Antó­nio, nosso Padroeiro. Ao fazê-lo, a Equipa de Animação e Informação da Paróquia continua abraçada aos mesmos ideais que a norteiam desde o primeiro momento e aos mesmos objectivos que gizou para esta caminhada.

    Traçámos desde o início uma linha recta indelével e indestrutível de conduta e orientação a que chamámos "A caminho do Lar", convictos que era possível alimentar o sonho de ver erigida tal obra no seio da nossa comunidade. Uma obra indispensável de apoio aos idosos da nossa terra, uma obra onde a responsabilidade social da Igreja, há-de saltar à evidência para que se cumpra o seu inalienável vector caritativo. Acreditámos! Com a força da Fé que nos guia, trilhámos um caminho complexo e difícil, mas hoje podemos afirmar, com jubilosa humildade, que essa obra vai ser uma realidade! Para isso foi que, ao longo do ano pastoral, continuámos a realizar eventos, a lançar campanhas.

    A angariar fundos produto de contribuições generosas e altruístas.

    A obra é grande e ambiciosa.

    Mas sozinhos não a conseguiremos erguer.

    A ajuda de todos é fundamental. Hoje mais que nunca! Para isso é que, agora, aqui está, outra vez, a nossa festa. Para que o vosso contributo e a vossa alegria alimente a esperança daqueles que, sem outros recursos, hão-de num futuro próximo usufruir destes espa­ços.

    Um agradecimento reiterado e muito sincero a todos quantos nos têm ajudado nesta caminhada.

    A EQUIPA

    PROGRAMA DAS FESTAS DO PADROEIRO –festas de santo antónio- 2009

    Terça -feira, 09 de Junho

    19H30 – Abertura: Repicar dos Sinos

    20H00 – Porco no Espeto

    21H45 – Show de Fogo

    22H00 – Baile com: Ana, Fátima e Zé dos Reis

    Quarta -feira, 10 de Junho DIA DE PORTUGAL

    18H30 – Acolhimento ao Menino Deus

    19H30 – Abertura da Sardinhada Popular

    21H30 – Espectáculo com a Tuna Académica: Quantunna

    22H30 – Baile com: Rui Feliciano

    Quinta-feira, 11 de Junho DIA DE CORPO DE DEUS

    11H30 – Eucaristia

    Acompanhamento do Menino Deus

    17H30 – Exposição sobre Robótica (workshop)

    pelo Sr. Arlindo Oliveira, eng.º

    21H00 – Grupo de Cantares “As Camponesas” de Riachos

    22H00 – Escola de Fandango do rancho Folclórico de Riachos

    22H30 – Baile com: Rafael Vargas

    Sexta-feira, 12 de Junho

    21H00 – Espectáculo com: Nozyvozes

    21H45 – Consagração dos Campeões Equipa Sénior do C. A. Riachense

    22H00 – Baile com: Xarepa Band

    Sábado, 13 de Junho DIA DE SANTO ANTÓNIO

    11H00 – Eucaristia de Santo António – O PADROEIRO

    18H00 – Conferência sobre a Pobreza

    pelo Sr. Alfredo Bruto da Costa, eng.º

    no MUSEU AGRICOLA DE RIACHOS

    21H00 – Espectáculo com: Cante Coral Baleizão

    22H00 – Baile com: Hangar 7

    Domingo, 14 de Junho

    13H00 – Almoço Comunitário

    17H00 – Eucaristia

    Procissão

    Rua de Santo António => Rua Bênção do gado => Rua Casais novos => Rua da Pátria => Rua projectada à 1º de Maio => Rua A do Bº de Santo António => Rua Castello Lopes => Adro da Igreja.

    20H30 – Marchas de Santo António

    Largo Manuel Simões Serôdio => Rua de Santo António => Adro da Igreja

    21H30 – Serenata de Coimbra

    Escadaria de Igreja Paroquial

    22H30 – Baile com: Sílvia Alcobia

    01H00 – Espectáculo (show) de fogo

    e

    ENCERRAMENTO

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    imprima esta imagem e faça a sua doação

    a Paróquia De Riachos agradece e eu qualquer dia no futuro também.

    Obrigado e Boa Festa.

    Festa do Padroeiro- 2009

    Festas de Santo António, padroeiro de Riachos

    Foi já anunciado o programa da festa do padroeiro Santo António em Riachos, agendada para os dias 9 a 14 de Junho, e que decorrerá no adro da Igreja. Este ano, o orçamento rondará os 1800 euros, montante mais reduzido devido às diversas obras da Paróquia que se iniciarão este ano. A equipa de animação da Paróquia adiantou que «este valor orçamentado para as festas deverá ser suportado à partida por patrocinadores». O lema da festa continuará a ser “ A caminho do Lar”, para que se consiga angariar mais fundos para a construção do lar de idosos, com início marcado para Dezembro de 2009. O programa contará com a actuação da “Quantuna”, tuna académica de Coimbra, “Nozyvozes”, um baile com Sílvia Alcobia, “Xarepa Band”, entre outros. Está ainda prevista uma conferência sobre o tema da pobreza, com Bruto da Costa a ser o orador convidado, e um workshop sobre robótica. No âmbito da festa decorrerá ainda a marcha de Santo António, missa, procissão e um almoço partilhado.

    paco velasques

    dá para ver um pouco de futuro
     
    Paco Velasques uma promessa
     
    SORTE!!!!!!!!!!!
     

    A festa-2008

    Deixo aqui uma foto-homenagem a um homem que deu o seu melhor para esta festa.

    Outros mereciam também estar neste destaque. Mas, bem ou mal, escolhi  "premiar" apenas um.

    IMG_0902(1)  autor da foto: desconhecido      -imagem recolhida na net-

     

    Para todos eles votos das maiores felicidades e que em 2012 estejam ainda mais motivados

    A FESTA 2008 - programa -

    Festa da Bênção do Gado 2008

    (texto e fotos extraídas do panfleto oficial da festa distribuído pela organização)

    site oficial da festa: http://www.bencaodogado.com

     

     

     

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    nota de apresentação

    A Festa da Bênção do Gado retoma uma tradição rural cuja origem se perde na memória do tempo e revela a marca identificadora desta terra e destas gentes. No princípio do século XX esta festa ainda se realizava todos os anos, em honra de S. Silvestre, patrono dos campos e dos animais, tendo perdido a sua regularidade e passado a realizar-se apenas em ocasiões de excepção, para celebrar momentos altos da terra ou quando se juntavam vontades e oportunidades (1937, 1953, 1966, 1973, 1985 e 1993).

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    A partir de 1966, a Festa da Bênção do Gado passa a integrar também a celebração do antiquíssimo culto do Senhor Jesus dos Lavradores, cuja Imagem, segundo a lenda, foi encontrada na Idade Média por um grupo de lavradores que andava a lavrar a terra com bois, os quais ajoelhavam no local onde estava enterrada. Esta Imagem encontra-se na Igreja de Santiago em Torres Novas de onde apenas sai por ocasião da Festa, sob a responsabilidade da Irmandade do Menino Deus. A Imagem é transportada para Riachos, onde é recebida por milhares de pessoas e levada em procissão para a Igreja de Santo António. Esta Irmandade, assim chamada por possuir uma imagem do Menino Deus, é constituída por 10 irmãos, que a tradição considera herdeiros dos achadores da imagem do Senhor Jesus, entre os quais se divide a sua guarda, ficando a mesma durante um ano em casa de cada um. Durante largos anos a Sociedade dos Cingeleiros, entidade de características mutualistas de apoio aos agricultores riachenses criadores de gado, foi a principal entidade responsável pelos festejos, mas a partir do ano 2000, com a criação da Bênção do Gado Associação Cultural, a Festa ganha uma periodicidade certa (de 4 em 4 anos).

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    Entretanto, a Festa da Bênção do Gado evoluiu de uma festa de aldeia para uma das maiores e mais características festas da região, com um programa muito diversificado e em que o povo tem um papel fundamental na sua organização e realização.

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    O ponto mais alto da Festa é o Cortejo da Bênção do Gado, que tem características essencialmente etnográficas e conta com a participação da população e em especial dos agricultores riachenses, que desfilam com os seus carros alegóricos e recebem a bênção divina.

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    A arte do povo manifesta-se em várias actividades, mas especialmente no embelezamento das ruas, com destaque para os motivos rurais. Esta é uma Festa feita pelo povo e para o povo, que respeita as suas tradições e as suas raízes rurais.

     

     

     

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    – destaques –

     

    Riachos, o Rio e as Gentes

    18 Julho – 22 horas

    Reabertura do Cinema Olímpia

    21 Julho – 19 horas

    Procissão do Menino Deus

    24 Julho – 19 horas

    Procissão do Senhor Jesus dos Lavradores

    25 Julho – 19 horas

    Corrida de Touros

    26 Julho – 17,30 horas

    Cortejo da Bênção do Gado

    27 Julho – 16 horas

     

     

     

     

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    RIACHOS – TORRES NOVAS

    17 A 27 de JULHO

    Tradição com Futuro!

    http://www.bencaodogado.com

     

     

     

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    17 JULHO | QUINTA

    A FESTA DAS RUAS

    21h30 > Adro da Igrejas e Ruas

                                             Espectáculo Abertura da Festa

                                            » Dança “O Tecedor de Sonhos” Coreografia de Marta Tomé

                                            » Kumpania Algazarra

     

    18 JULHO | SEXTA

    18h00 > Ruas e Praça deTouros » Entrada de touros

    19h00 > Recinto de espectáculos » Abertura das Tasquinhas

    22h00 > Praça de Touros » Riachos, o Rio e as Gentes “Momentos da Vida Rural”

    22h30 > Palco 2 » Xarepa Band

    00h00 > Palco 1 » Fados de Coimbra

    01h00 > Tascarte » M Pex

     

    19 JULHO | SÁBADO

    09h00 > Ruas» Passeio de Vespas

    09h30 > Ruas e Campo » Passeio a cavalo

    10h00 » Workshop de Cine-Video

    17h00 > Museu » Apresentação de livros da Festa

                            » Artes & Ofícios Tradicionais

    18h00 > Ruas » Gaiteiros da Lamarosa

    19h00 > Ruas » Grande Prémio Atletismo Bênção do Gado

    NOITE DO FOLCLORE

    21h30 > Palco 1 » Portugal a Cantar e Bailar Festival de Folclore Os Camponeses de Riachos

    00h00 > Palco 2 » Cepa Torta

    01h00 I Tascarte » Fol&Ar/baile folk

     

    20 JULHO | DOMINGO

    09h00 > Ruas » Prova de columbofilia à antiga

    09h00 > Ruas » Passeio de BTT (Trilh’arte - Rota dos Cingeleiros)

    09h30 > Quintas Agrícolas » Caminhada das Quintas

    10h00 > Junto Praça de Touros » Gincana de tractores

    17h00 > Ruas » Bombos de Lavacolhos

    18h00 > Av.16 Maio » Free Style (motos)

    NOITE DO TEJO

    22h00 > Palco 1 » Pedro Barroso “A Alma do Tejo”

    00h00 > Palco 2 » Lisboa não sejas Francesa

    01h00 > Tascarte » Improvisos

     

    21 JULHO | SEGUNDA

    19h00 > Cinema Olímpia » Cinema / documentários

    NOITE DA TRADIÇÃO

    22h00 > Palco 1 » As Camponesas de Riachos

                             » José dos Reis, Ana Cristina e Fátima

                             » Os Gringos

    22h00 > Recinto de Espectáculos » Baile Popular Sardinha assada

    00h30 > Tascarte » Improvisos

    00h30 > Ruas » Largada de Touros

     

    22 JULHO | TERÇA

    19h00 I Cinema Olímpia » Cinema / documentários

    NOITE DE RIACHOS

    22h00 > Palco 1 » Célia Barroca

    23h00 > Palco 2 » Banda Filarmónica Riachense

    22h30 > Quinta da Várzea » Estrel’arte Observação de Estrelas com Máximo Ferreira

    00h00 > Tascarte » Improvisos

     

    23 JULHO | QUARTA

    19h00 > Cinema Olímpia » Cinema / documentários

    NOITE DE FADO

    22h00 > Palco 1 » Teresa Tapadas

    00h00 > Tascarte » Ethan Dealer e Outros

    00h30 > Ruas » Largada de Touros

     

    24 JULHO | QUINTA

    19h00 > Ruas » Procissão do Menino Deus

    NOITE DA JUVENTUDE E DA CERVEJA

    22h00 > Palco 2 » Sean Riley & The Slowriders

    23h00 > Palco 1 » Wraygunn

    00h30 > Palco2 » Português Suave

                            » RJA

                            » Xtigma

    01h00 > Tascarte » Improvisos

     

    25 JULHO | SEXTA

    19h00 > Ruas » Procissão do Senhor Jesus dos Lavradores

    22h30 > Palco 1 » Mesa

    00h00 > Palco 2 » fucked Up

                             »Bota Abaixo

    00h30 > Tascarte » Improvisos

    01h00 > Ruas » Largada de Touros

     

    26 JULHO | SÁBADO

    09h00 > Ruas e Campo» Passeio Todo-o-Terreno (carros)

    09h00 > Casal das Flores » Lavoura Tradicional (Os bois no trabalho)

    11h00 > Igreja » Via-sacra

    15h00 > Muros » Pintura Mural / Grafit’arte

    15h00 > Casal das Flores » Brinc’arte

    16h00 > Igreja » Oração de Vésperas

    17h30 > Praça de Touros » Corrida de Touros

    18h00 > Ruas » Música na Rua

    21h30 > Palco 2 » Fritz Kahn and The Miracles

    22h30 > Palco 1 » Sérgio Godinho

    00h00 > Tascarte » Music’arte

     

    27 JULHO | DOMINGO

    11h30 > Igreja » Eucaristia Dominical

    16h00 > Ruas » Cortejo da Bênção do Gado

    22h00 > Palco 1 » Jorge Palma & Os Demitidos

    00h00 » Encerramento

     

     

    28 JULHO | SEGUNDA

    18h00 > Ruas » Devolução da Imagem do Senhor Jesus dos Lavradores

     

     

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    Compre com antecedência e poupe muito dinheiro

    ENTRADAS PERMANENTES

    para todos os espectáculos musicais e tasquinhas

    Preço até 30 Junho – 17,50€ – Preço após 30 Junho – 20,00€

    TASQUINHAS

    18 A 27 DE JULHO

    Tocha – a partir das 19 horas

    EXPOSIÇÕES

    Artes Plásticas, Artesanato e Trabalhos Escolares na Rua dos Sargaços

    A ARTE DO POVO

    RUAS ENGALANADAS

    ESPECTÁCULO

    RIACHOS, O RIO E AS GENTES

    Momentos da Vida Rural

    Dia 18-22h00 Praça de Touros

    Preço até 30 Junho – 5,00€

    Preço após 30 Junho – 6,00€

    CORRIDA DE TOUROS

    Dia 26 – Sábado – 17,30h

    Bancada Sol

    10,00€ até 30 Junho

    12,50€ após 30 Junho

    Barreira Sol

    12,50€ até 30 Junho

    15,00€ após 30 Junho

    Bancada Sombra

    15,00€ até 30 Junho

    17,50€ após 30 Junho

    Barreira Sombra

    17,50€ até 30 Junho

    20,00€ após 30 Junho

     

     

    EXTRAIDO DE:   BGADO2008-FolhetoA4a.indd 2 30 –

    Por:

    masofi de riachos

    http://www.masofi-01.spaces.live.com

    Festa do Padroeiro 2008

     

    Festa do Padroeiro 2008 na Vila de RIACHOS

          NÃO FALTE VAI VALER A PENA

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          EU VOU !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! E VOCÊ?

                   um abraço MASOFI de Riachos

        "fotos do panfleto  de divulgação da festa"

           

     

              http://www.masofi-01.spaces.live.com

    A LENDA DO SENHOR JESUS DOS LAVRADORES -2-

    A Lenda do Senhor Jesus dos Lavradores

    Versão do Museu Agrícola de Riachos

    Numa manhã de Maio dos alvores da idade média, não se sabe bem já quando, um grupo de Cingeleiros destas terras de Riachos andava como tantos outros, na lavoura dos seus hastins dos campos do Espargal.

    Auxiliavam-nos nas suas duras tarefas juntas de bois de trabalho que, pacientemente, puxavam os arados (feitos de madeira de azinho protegida, nas pontas, por bicos de ferro).

    A certa altura e porque os bois não conseguiam avançar, fincando mesmo, com o esforço, os joelhos no chão, os lavradores repararam que o bico do arado estava preso numa grande pedra que começava a sobressair do ventre da terra.

    Escavando, então, descobriram debaixo da laje uma imagem, escura e triste, de um Senhor Jesus Crucificado, que, com a surpresa, os fez cair de joelhos como se de um milagre estivesse acontecendo. Limparam-lhe, depois, a terra húmida dos cabelos (quase humanos), de entre os dentes da boca entreaberta, dos pés e das mãos. Ajeitaram-lhe os pregos da cruz e, depois, levaram-na bem para o centro da povoação, para o Largo, aonde, sabido do milagroso achado, depressa acorreram, vindos dos seus casais, os outros lavradores-cingeleiros de Riachos.

    Carregada a imagem num carro puxado por uma junta de bois (precisamente aquela que a encontrou), enfeitaram-no de flores campestres e de ervas aromáticas e lá foram a cantar entregá-la (ainda que contrariadamente...) à Igreja da sede da freguesia, em Santiago, perto do Paço, em Torres Novas.

    A partir daí, todos os anos, em plena Primavera, os cingeleiros de Riachos fizeram nascer a sua "Festa", a Festa da Bênção do Gado, desfilando alegremente com os seus animais, enfeitados e floridos, numa recordação da memória do seu achado.

    E sempre, até aos dias de hoje, os riachenses relembram nesses dias o que há de mais profundo na sua memória: o encanto de uma lenda que acima de tudo representa a mais profunda ligação à Natureza, única fonte de riqueza da sua vida e do seu saber ancestral.

    MUSEU AGRÍCOLA DE RIACHOS

    http://www.ribatejo.com/ecos/tnovas/museuriachos/index.html

    Inaugurado em 1989, o Museu Agrícola de Riachos reúne um riquíssimo espólio representativo dos vários aspectos da ruralidade que marcou, até há três décadas, o modo de vida tradicional das gentes riachenses.

    O lagar e a eira, a casa tradicional e maquinaria agrícola, o traje e as artes e ofícios tradicionais, completam um acervo etnográfico de inegável interesse didáctico. Boieiros, gadanheiros e valadores merecem, contudo, plano de destaque, pelo papel que representaram no passado riachense. O Museu Agrícola de Riachos pretende reflectir uma visão de conjunto duma realidade geográfico-cultural de transição do bairro para a borda-d’água ribatejana.

    Os serviços de Museologia e Museografia, de Conservação e Restauro e os Serviços Educativos são Projecto Museológico deste espaço de as bases da cultura. O Centro de Escolas e Grupos assim como Documentação serve investigadores que documentos para a sua actividade aqui poderão encontrar profissional vez mais de natureza pedagógica e num quadro que se pretende cada científica

    Localização

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    O Museu Agrícola de Riachos fica a 3 km da saída da A23 / IP 6 – Torres Novas – no sentido de Golegã bem no centro da Vila de Riachos.

    RIACHOS - vila ribatejana -

    RIACHOS – VILA RIBATEJANA –

     

    DADOS GERAIS

    Sede da Junta: Rua José Castello Lopes,  Nº 1   -    2350 Riachos

    Tel./Fax.: 249 829 115

    Padroeiro:   Santo António

    População: 5427 habitantes,   4478 eleitores.

    Actividades Económicas:  Agricultura, refinaria de azeite, destilaria, metalurgia, frotas de transporte, comércio, armazenamento e distribuição de cereais, construção civil e serviços

    Festas e romarias: Festa da Bênção do Gado (as últimas foram em 2000 e 2004 e a próxima em 2008-JULHO 17 a 28)

    Património cultural e edificado:  Igreja matriz

    Outros locais de interesse turístico:  Museu Agrícola

    Gastronomia:  Miga à pescador, sopas de Fressura, sopas de bacalhau, couves com feijão, arroz-doce e bolos de cabeça

    Colectividades:  Rancho Folclórico “Os Camponeses de Riachos”, Sociedade Filarmónica Riachense, Sociedade Columbófila de Riachos, Clube Atlético Riachense, Coop. Editora “O Riachense”, Clube Caçadores dos Riachos, Assoc. de Defesa do Património, “Museu Agrícola”, GRUTAR - Teatro de Riachos, Clube Desportivo e Recr. Casais de Castelos e Coop. Hab. Económica de Riachos.

    Artesanato: Peças de ferramenta de carpintaria e agrícolas em miniatura (madeira, ferro e chapa), Bordados.

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    RESENHA HISTÓRICA

    Fundada em 23 de Agosto de 1923, de parte da freguesia de Santiago de Torres Novas, Santo António de Riachos dista cinco quilómetros da sede do concelho.

    Riachos é uma povoação cuja antiguidade se desconhece, presumindo os principais autores que não seja de monta. Talvez pela falta de referências históricas, é usual, dá-se como muito recente o seu povoamento. Não é crível, no entanto, que povos como os romanos e os árabes tenham passado por toda a região, menos por aqui. Até porque as condições geográficas da actual freguesia eram convidativas. O próprio nome o confirma. Riachos, de pequeno rio ou ribeiro, ou de pequenas linhas de água resultantes das inundações do Almonda.

    São duas as realidades geomorfológicas do território de Riachos. De um lado (parte ocidental da freguesia), estende-se de norte para sul uma “língua” de lezíria ou várzea, torneando a margem esquerda do Almonda. De outro, os solos apresentam frequentes ondulações, numa das quais se desenvolve o coração da vila, sobranceiro ao rio. Como referiu José Marques, Riachos está na zona de transição das terras bravas de aluviões extremamente férteis, para uma região de serra, mais acidentada e difícil. João Carlos Lopes acrescenta: “Esta singularidade da sua geografia há-de marcar-lhe os traços de humanização da sua paisagem”.

    Ou seja, a população escolheu para habitar as regiões que mais iriam favorecer as suas condições de vida. Perto do rio, estava a água, estavam as terras férteis. Numa palavra, a agricultura. Conforme referimos antes, o próprio topónimo que dá o nome à freguesia, Riachos, poderá muito bem-estar ligado a esta realidade geográfica: a proximidade do Almonda e as cheias que faziam transbordar as suas águas.

    Por ter pertencido a Santiago de Torres Novas até à década de 20 do nosso século, a história de Riachos está intimamente ligada à daquela freguesia. Em termos demográficos, a sua população cresceu sempre desde 1930, porque antes não podemos saber. Esse crescimento acentuou-se principalmente entre 1960 e 1980, período em que o aumento populacional rondava os 500 habitantes por decénio.

    Com cerca de 5500 pessoas, actualmente, Riachos é uma das mais populosas freguesias do concelho. Os factores atrás referidos e ainda a proximidade à sede do concelho poderá estar na base desse facto. População que se dedica sobretudo à agricultura e a actividades industriais em acelerada expansão.

    Depois da criação da freguesia, iria ser construída uma igreja paroquial, que substituiu o primitivo templo, pequeno e relevante apenas por uma escultura de S. Silvestre assente num nicho quinhentista. A nova igreja, moderna e de linhas arquitectónicas muito agradáveis, é da autoria do arquitecto Inácio Peres Fernandes.

    Das edificações senhoriais de Riachos, escolhemos o solar da quinta do Minhoto. Residência nobre, muito modificada em relação à traça original. Segundo o “Inventário Artístico de Portugal”, “já sem carácter”. No alto da fachada, está um brasão, escudo partido em pala, com uma banda carregada de lises no primeiro. Em 1758, a casa pertencia ao capitão-mor João Freire Gameiro de Sousa Cid. É ainda hoje propriedade da mesma família.

    É uma propriedade com uma história relevante. Nela esteve sediado o Quartel-General do coronel Vasconcelos Correia aquando da Revolta de Torres Novas, em 1844. Essa revolta, chefiada pelo coronel António César de Vasconcelos Correia, constituiu-se num golpe facção setembrista, que preconizava a revolta armada contra o governo cabralista. Tudo resultaria num fracasso, embora tenha sido importante como indicador concreto do descontentamento das populações face à ditadura.

    E assim chegamos à actualidade.

    Em face do crescimento verificado, Santo António de Riachos foi elevada à categoria de vila através de Decreto de 16 de Maio de 1984.

    Rápido crescimento, o registado por esta nóvel vila, que ainda nos inícios do século não era sequer freguesia.

     

     

    MOVIMENTO ASSOCIATIVO 

    clip_image006Clube Atlético Riachense

    Associação Desportiva de Utilidade Pública

    Rua do Correio, 2 – RIACHOS

    Clube Caçadores de Riachos

    Clube Desportivo e Recreativo de Casais de Castelos

    Cooperativa Editora “O Riachense”

    Cooperativa de Habitação Económica de Riachos

    clip_image008Grupo de Forcados Amadores de Riachos

    Reaparecimento em 15 – 8 – 95

    “ Em 2007 – sem actividade “

    GRUTAR - Teatro de Riachos

    Associação Cultural Fundada em 25 – 2 – 78

    “ Em 2007 – sem actividade “

    Museu Agrícola - Associação Defesa do Património

    clip_image010

    A maior referência de visita em Riachos é o Museu Agrícola, o qual reúne um riquíssimo espólio representativo dos vários aspectos da ruralidade que marcaram o modo de vida tradicional dos riachenses. Os Serviços de Museologia e Museografia de Conservação e Restauro, e os Serviços Educativos, constituem as bases do projecto museológico deste espaço de cultura.

    Rancho Folclórico “Os Camponeses" de Riachos

    clip_image012Sociedade Columbófila de Riachos

    Fundada em 1946

    Rua Castello Lopes, Nº 4 - RIACHOS

    clip_image014Sociedade Velha Filarmónica Riachense

    Associação Cultural de Utilidade Pública

    Fundada em 4 - 3 - 1884

    Grã-Cruz da Ordem do Infante

     

    .........................................................................

     

    Com cerca de 5500 pessoas, actualmente, Riachos é uma das mais populosas freguesias do concelho.

    clip_image016É delimitada pelo rio Almonda e pelos concelhos de Entroncamento e Golegã, distando cerca de 5 Km das respectivas sedes concelhias (Igual distância para a Cidade de Torres Novas).

    A origem de topónimo tem a ver com «pequenos riachos». - existentes em zona agrícola e que o Rei D. Dinis mandou suprimir para ali poder semear pão “trigo” -

    Festa Da Bênção Do Gado 2008 - 1 -

    O uso de trajes antigos embelezará a Festa da Bênção do Gado

    ( in – O Riachense de 07-Nov.2007 )

    Mais de uma vintena de mulheres discutiu no passado dia 27 de Outubro diversos aspectos sobre a Festa da Bênção do Gado que será realizada no próximo ano. Já na noite anterior, a mesma quantidade de jovens riachenses havia participado em encontro com idênticos propósitos.

    As mulheres de Riachos, de diversos sectores e com várias idades não se fizeram rogadas e compareceram no auditório do Museu Agrícola para apresentarem as suas ideias, sugestões e opiniões sobre a Festa que verá a luz dia em 2008. O repto lançado pelos responsáveis pela Associação Cultural Bênção do Gado teve uma resposta bastante positiva e interessada deste sector da população riachense.

    clip_image002

    O objectivo do encontro era o de ouvir opiniões e possibilitar a discussão sobre a Festa que as pessoas querem. A avaliar pela quantidade e diversidade de opiniões e sugestões saídas da reunião, pode-se afirmar sem margem para dúvidas que se tratou de uma aposta totalmente ganha. Tratou-se de uma iniciativa inédita em Riachos, pois nunca se havia realizado nesta localidade um encontro destinado a ouvir a opinião feminina sobre um qualquer assunto. Aliás, este aspecto de originalidade foi também salientado pelas participantes que se sentiram gratas por participar na iniciativa.

    Na discussão foram abordados inúmeros aspectos da Festa, desde a organização do cortejo, passando pelo embelezamento das ruas, até à participação dos riachenses na sua Festa. A este respeito foi curioso vê que estas riachenses entenderam que uma das formas mais interessantes de participação da população podia ser através do traje, ou seja, com o uso de peças de vestuário características de outros tempos. O uso destas vestes durante os dias da Festa daria um colorido especial aos festejos e seria urna forma de participação activa das pessoas. A ideia foi tão bem recebida que passou logo da palavra à prática, de tal modo que um grupo de participantes foi de imediato a uma loja antiga comprar peças de riscado, tecido que se utilizava outrora mas está actualmente em desuso, para confeccionar camisas de homem à moda antiga. Já após a reunião, em conversa informal, foram sugeridas a calça com o cor te antigo e de padrões da época, a camisa sem colarinhos, o colete, um lenço ao pescoço e um boné ou barrete. Para elas, a saia rodada e camisa de folhos. Pretende-se deste modo recriar uma época e simultaneamente motivar a participação de todos aqueles que gostam da terra e da Festa e que querem recuperar as tradições tornando-as vivas.

    Aliás, idêntica sugestão já tinha surgido na reunião do dia anterior com os jovens, tendo sido bem aceite embora estes também tivessem salientado a importância de envergar e divulgar as t-shirts com o logotipo da Festa. Nesta reunião o espírito de entusiasmo da malta nova com a Festa foi o mesmo, tendo sido apresentadas várias ideias e opiniões sobre os aspectos dos festejos que mais dizem a esta faixa etária. Foi invocada a aposta, como não podia deixar de ser, nos espectáculos para a juventude e nas iniciativas culturais com especial destaque para a necessidade de existir um espaço com as características da Tascarte que foi, aliás, unanimemente reconhecida com uma aposta ganha e a repetir.

    No final destas duas reuniões foi unânime o sentimento de que a paixão pela Festa ficou mais reforçada entre todos. Agora é preciso que cada um dos participantes nestes dois encontros mobilize outras vontades para que a Festa seja efectivamente de todos e se transforme num grande êxito.

     

    nota

    A FESTA DA BÊNÇÃO DO GADO -2008-   ESTÁ MARCADA PARA O PERIODO DE 18 A 27 DE JULHO 2008

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    Lenda do SENHOR JESUS DOS LAVRADORES

    LENDA DO SENHOR JESUS DOS LAVRADORES

     

    Atestando as velhas tradições agrícolas do povo de Riachos, recordamos a lenda do Senhor Jesus dos Lavradores, sem dúvida uma das mais curiosas e interessantes do nosso riquíssimo repositório lendário. Em longínquos tempos, que devem remontar aos alvores da nacionalidade, um grupo de lavradores de Riachos lavrava os seus campos do Espargal com arados puxados por bois, os simpáticos animais que foram desde sempre, os indispensáveis companheiros de trabalho do lavrador riachense. Ao passarem em determinado local, por mais aguilhoados que fossem, os bois ajoelhavam e negavam-se a
    puxar o arado.

     

    Intrigados com a atitude dos seus companheiros de trabalho, os lavradores recorrem às enxadas de que estão munidos e revolvem a terra onde os bois ajoelhavam e, com a maior surpresa deparam com um túmulo de pedra dentro do qual se encontra uma imagem de Jesus. Ajoelham eles também e gritam: Milagre, milagre! Em seguida, e com os maiores cuidados, retiram do túmulo a imagem, que passou a chamar-se do Senhor Jesus dos Lavradores, a qual lavam cuidadosamente numa calha do velho Moinho dos Gafos e que em seguida vão depositar numa das igrejas de Torres Novas por, na sua terra, que então não passava de um pequeno casal, não existir qualquer templo onde possam dar-lhe guarida condigna.

     

     

    Em troca da preciosa escultura de tipo gótico, que é a imagem do Senhor Jesus dos Lavradores, recebem dos torrejanos um pequeno Menino Jesus, que fica à guarda desses lavradores e durante um ano em casa de cada um deles. A transferência da casa de um para a casa de outro faz-se processionalmente e dá motivo a uma pequena festa em que se reúnem todos esses lavradores e suas famílias.


    Morrem eles, mas a tradição mantém-se e os direitos sobre o Menino Jesus transferem-se para os seus herdeiros. E o Menino Jesus ainda hoje goza das mesmas honras. Cada um dos representantes dos primitivos lavradores lhe reserva os melhores aposentos de sua casa, onde o recebe e conserva durante um ano como hóspede de honra.

     

    A imagem do Senhor Jesus dos Lavradores, essa continua em Torres Novas, na velha igreja matriz de Santiago, e é motivo de um culto especial, destinando-se a primeira sexta feira de cada mês para uma peregrinação de todos os que têm algo que pedir-lhe ou que agradecer-lhe, ou que apenas desejam dedicar-lhe as suas orações.

     

    Só poderá sair da igreja por casos considerados de calamidade pública, tais como secas e invernias prolongadas, e mediante prévia petição assinada pelos lavradores de Riachos. A procissão obedece a ritos especiais, e nela é reservado lugar de honra para os lavradores descendentes daqueles que milagrosamente a encontraram."

    Excertos da obra "Riachos Terra do Ribatejo" de António Chora Barroso, 1954

     

     

     

     

    NOTA à   o autor ao escrever “Menino Jesus” refere-se a “Menino Deus

     

    O NOME DE RIACHOS

    O NOME DE RIACHOS

    DOCUMENTO COMPROVATIVO DO SEU

    APARECIMENTO

     


    ... Esta é a reprodução do documento mais antigo que refere o nome de Ria­chos. Documento ortografado e datado de 18 de Janeiro de 1587, transcrito do livro 2-B (1587 — 1589) dos Registos Paroquiais da Freguesia de Santiago do Concelho de Torres Novas.

     

    Pela leitura do mesmo se verifica que o Padre José Lopes baptizou um in­divíduo do sexo masculino com o nome de Simão que foi apadrinhado por Ga­briel Dias Ferreira e por Bárbara Lopes.

     

    Mas se este documento, pela sua difícil interpretação, pode merecer algumas dúvidas ao estudioso mais atento e exigente, então é certo que poderemos recor­rer a um outro, de data posterior, cuja interpretação é a seguinte: — No primeiro de Novembro de mil seiscentos e quarenta e cinco baptizou o Padre prior Antónia filha de António Marques e de sua mulher Maria Pereira. Foram padrinhos João Dias e Margarida Lopes.

     

    Contudo, esta última evidência da existência de Riachos como válido aglomerado populacional, não nos outorga o direito de olvidar a zona do Espargal (spargal) como região prolífera anterior ao nome da terra que serve de título a esta publicação. Inúme­ros são os registos que se referem à naturalidade de crianças nadas nas extensão que se estende nas cercanias da Quinta de Carvalhais até aos limi­tes do Concelho da Golegã.

    Seria fastidioso enumerá-los.

    O Livro 1º dos Registos Paroquiais dos Baptis­mos realizados na Freguesia de Santiago do Con­celho de Torres Novas é, como é óbvio, o mais anti­go que podemos compulsar na Torre do Tombo. Abrange os baptismos realizados entre 1575 e 1587, isto é, todo um período de tempo que se es­tende do reinado de D. Sebastião ao reinado de Fili­pe II de Espanha, primeiro de Portugal. Tais regis­tos são autenticados pelas assinaturas dos padres Baltazar, Diogo de Almada e Emanuel Freire.

    Supomos que o primeiro registo respeitante à área do Espargal e datado de 4 de Dezembro de 1581. O mesmo diz respeito a Fernão Coelho Mi­guel, filho de Diogo Lopes e Maria Luís do Espargal.

    Ao investigador que um dia anseie debruçar-se sobre estas velharias sem as quais não se pode re­construir a história da Freguesia, convém saber que os primeiros registos mencionados no citado Livro 1º (ao contrário do que sucede nos livros com data posterior) nunca se discrimina, à margem das páginas utilizadas, o local da Freguesia onde o nas­cimento se verificou.

    Na zona do Espargal nasceu muita gente da vas­ta cepa torrejana. Assim é que em Janeiro de 1582 se assmala o nascimento de António Sirgado, filho de Fernão Sirgado e de sua mulher Francisca da Mata. Foram padrinhos José Mealha e Catarina Roiz.

    Constituiria curioso estudo mas, parece-nos, im­possível de concretizar, o que relacionasse os no­mes desta gente de antanho com os das famílias ainda hoje predominantes nesta fértil região da Bor­da de Água.

    Saber quantas gerações de uma mesma árvore genealógica permaneceram ligadas ao mesmo solo onde nasceram seus avoengos... eis a questão.

    Mas, mais interessante e talvez mais útil sob o ponto de vista histórico, seria ainda realizar o estu­do da linha evolutiva dessas mesmas gerações nos seus aspectos sociais, económicos e agrícolas, etc., para provar que todos ainda continuam povo, nascidos nos mesmos trabalhos e canseiras, e avi­ventados pêlos mesmos anseios inerentes à sua função de homem do campo.

    Tal trabalho consideramo-lo nós impossível de realizar por míngua de forças, de condições e de elementos de estudo.

    Outros, certamente, pensarão o contrário.

    E ainda bem.

    A.C. B.

    "FALAR À RIACHO"

     

    FALAR À RIACHO

     

    Vou tentar retratar a vida e o vocabulário de uma mulher anónima (igual a tantas outras), na minha terra e na minha juventude (anos 40 e 50). Algum deste vocabulário ainda hoje é actual. Eu por exemplo ainda o utilizo! Não é fácil traduzi-lo em escrita e por isso vou utilizar muitos acentos (e não só), para realçar o palavreado de então! Então é mais ou menos assim:

     

     

     

     

    Aquele amalçoado

    Nunca mais s'alevanta

    Já tem tudo incantêrádo

    E na vai pôr a pronta.

     

    Há que Deus que tá navoêro

    Ó tá frio de rachar

    E cande cai um gravanêro

    Vai-se logo arrecadar.

     

    'Inda tá raso d'ele

    Aquele calmado ladrão

    Opois anda c ' aquele

    Qu' é tamém outre  Japão.

     

    Quando s'ajuntam amurdois

    E ver q'ai bebe mais

    Imbebedam-se e ópôis

    São uns altênticos animais.

     

    Andar com Pedro ó com Chanço

    P'ra ele são todos iguais

    É só beber sem descanso

    É ele... mais os mais!

     

    Pró marunfo vai ametade

    Que me qu'istoarma vez pode ser

    Às vezes só me dá vontade

    E fugir e desaparecer!

     

     

     

    Até a Julha e a Ingelina

    E mais a irmã, a Fromena

    E tamém a Maquelina

    Já mancaram esta cena.

     

    A prima dele , a Ingrácia

    Qu' é ma gande calhandrêra

    Aquilo pá se rir da desgráçia

    É ela sempe a primêra.

     

    A Requêta, a 'nhã que'nhada

    É quechopa na é por vaidade

    Aquilo é que' má filha,

    É mesmo ma chetrujindade !

     

    A 'nhá afelhada, a Conção

    Tá tá gorda que até s' afronta

    Aquilo nem que seja pão

    Pa quemêr tá sempe pronta.

     

    Até ando desacroçuada

    E já nada m' anima

    Ele na quere fazer nada

    E pranta-me tudo p'ra cima.

     

    Ele só quere é quemêr e beber

    Más travalhar, isso não!...

    Diz que na tem que fazer

    Aquele císsemo lambeirão!

     

    A jorna dele da semana

    Nem dá pá'viar os farrenéis

    Porque aquele gande sacana

    Na chega a ganhar cem menlréis.

     

    Más couves com fêjões na quere

    Diz que pouca chetância lê dão

    S' ele quemesse que ma um calquer

    Más come que nem um alamão!

     

    Ando mesmo chefézenhada

    Na sê que me que mê-de guevernar

    'Inda esta semana na ganhou nada

    E na há meio de chetrevantar!

     

    Anda sempe ta mal injorquivado

    Até tem um bonço deitado abáxo

    Todo sujo e chefarrapado

    E vai-me assim pó Riacho'.

     

    É um gande porcalhão

    Tem surro no corpo de léis-a-léis

    'Inda por cima é intrujão

    Diz que tôdes dias lava os pés.

     

    As ciroulhas qu' ele traz

    Já as traz dênos do Verão

    Ê na sê que m' ele é capaz

    De ser ta lavajão!

     

    É tamém um lambazão

    Quemêr p'ra ele , só com intulho

    Se lê dou carne com grão

    Enche logo o bandulho.

     

    Só carne é que l' apetece

    E só carne de carnêro

    Nem o quemêr que come murece

    Aquele gande pintelhêro.

     

    Cand' ele me vê a cesmar

    Nem olhar p'ra mim s' astreve

    Más quemeça logo a alanzuar

    Vá pó diabo qu' o leve !

     

    Hoje anda munto curjidoso

    Más êjá sê o qu' é que há

    Que'mêle é me ta manhoso

     

    Pa de milho tamém na gosta

    Diz que na o sastefaz

    Más ê cá dou-le a resposta:

    Pão alvo... chega para trás!

     

     

     

    Tou na cama constipada

    Só o que faço é chepilrar

    Más ele na me faz nada

    Nem um copo d' áugua me vem dar

     

    Tenho o órtêlho tôde inchado

    Da-quem-nada na posse andar

    Más ele tá munto ralado…

    Inda me vem atazanar!...

     

    Cande o oiço a pregar

    E cande tá do óvêsso

    Quemeço logo a cantar

    Faz de conta que na o qu'nheço!

     

    Pa mor Deus na digas nada

    Canão ê n'aguento

    Tou sempe a ser inxevalhada

    Tou cheia de sofrimento.

     

    Can'dê cá o vej' assim

    Ê só cismo e mais cismo

    As vezes cande dou por mim

    Tou há horas a olha pó bismo!

     

    É quechopa ...vou-te dezêr

    Já tou farta d' alencar

    Ele some quer é bater

    E no tou pó aturar!

     

    Já me desseram pá ê o dêxar

    Má ê cá na tenho coraja

    'Inda que fosse ele a abalar

    Tá a ver se me leva lá!

     

    Cande tá ca ciguêra

    Aquilo é qu' é ma bondade

    Más ê na quero brincadêra

    Porque na tenho vontade !

     

    Ópois inda se lamenta

    Diz que já na tem melhér

    Só por ê na tar panzenta

    Pa fazer o qu' ele quer.

     

    Até parece impessivênle

    Que me quê case co um home assim

    E inda a mais incrivênle...

    Tantos guestavam de mim.

     

    Na é pá me gavar

    E até me dá vontade de rir

    Tôdes me queriam namorar

    Na tinha mãos a medir!

     

    Até a 'nhã familha põe à balha

    Isto já é demasiado

    Às vezes dá-me cada malha,

    Aquele gande malvado!

     

    Olha, vais-te imbora... boa viaja !

     

    Tenho oito cachopos qu' é um incanto

    Na sê que me qu' eles narceram assim

    O me mais velho, é um santo

    Os outros, são tôdes que ma mim !

     

    Ás vezes apetece-me ir ó balhe

    Porque ê gosto munto de balhar

    Más tenho medo quê 'lê ralhe

    E que me vá lá bescar.

     

    Desta vida já na chepéro nada

    Qu' ela pouco ó nada me dá

    Tou a ficar velha e cansada

    Ande p'rá Qui ó Dês dará.

     

    Chasus Sinhôr!...

    Ê na murêço nada que ma isto!

    Só tu saras me Salvador

    Me devino Jasus Cristo.

     

    António do Rosário Martins

    RIACHOS E AS SUAS ALCUNHAS

    RIACHOS E AS SUAS ALCUNHAS

     

    Na tradição popular riachense está fortemente implantado o uso de alcunhas, ou apelidos, se assim lhes quisermos chamar.

    De tal forma que, ao proceder à sua recolha – por achar interessante este aspecto dos costumes da nossa gente – me surpreendeu o seu elevado número.

    A sua origem perde-se no tempo! Porém, a julgarmos pelas mais recentes, as que porventura ajudámos a criar, concluímos que quase sempre são motivadas por coisas sem importância, por pequenos nadas: um dito inoportuno ou um simples tique nervoso; porque se é gordo ou excessivamente magro, se tem mau feitio ou se é borracherão; porque se tem um defeito físico ou até pela cor da pele. Mas também, por acções que nada prestigiam aquele que as pratica.

    A verdade é que muitas vezes se é mais conhecido pela alcunha que pelo próprio nome.

    E se há quem não aceite com agrado, também há quem não a dispense e a use para melhor se identificar.

    Consta que um patrício nosso disse, com certa brejeirice, a alguém que, devendo dirigir-se a sua casa, não sabia bem onde ficava:

    – Quando chegar ao «Riachos» pergunte pelo mocho que não há lá mais nenhum!

    Sabendo-se que em Riachos ninguém ignora a base de malícia que aquela expressão contém, todos os riachenses a usam, de facto, com malícia, aquele homem assumia a sua alcunha com a maior naturalidade. Entendia, e bem, que as alcunhas só desprestigiam se quem as profere o faz maldosamente, com intenção de ofender o seu semelhante.

    Diga-se, de resto, que algumas assentam que nem uma luva. E quando assim é, propagam-se como o fogo; correm de boca em boca e não há quem as detenha. O melhor, então, é cada um acomodar-se à que lhe coube em sorte. Quanto mais a repelir mais ela se lhe agarra. E o povo, na sua sabedoria, diz que as alcunhas não carregam!...

    Mas já me alonguei, quando o queria era deixar aqui bem claro que, ao proceder à sua recolha, me não moveu a menor intenção de melindrar seja quem for. Algumas dessas alcunhas assentam em pessoas minhas amigas e até em familiares meus. As outras, TODAS, em pessoas que respeito. Penso que todos saberão entender que este hábito de alcunhas é um dos aspectos do nosso folclore, da nossa cultura.

    Mas, para os mais susceptíveis de melindre, aqui fica o pedido de sinceras desculpas.


    1

    Há gente que se desunha

    Só porque tem uma alcunha

    Mesmo que posta sem mal;

    Mas a alcunha é marcante

    E o nome, mesmo sonante,

    Ao pé dela nada vale!

    2

    E vejam bem este rol

    A Borrega, o Espanhol,

    O Velhoz, a Cauteleira,

    Manjerico, João Bucha,

    Taberna e Estrabucha,

    Toca a Caixa, Tamanqueira

    3

    Poupa, Panças e pão mole,

    O Laparito, o Linhol,

    Fada, Feio e Ferrador,

    Pipa, Petinga, Paloca,

    Anafil, Bilda, Patoca,

    O Alçamassa, o Actor.

    4

    Balsa, Besoiro e Bicho,

    Pé Leve, à Noite, Pilricho,

    Tanga, Toutiço, Tonicha,

    Santa Sério e Sérita,

    Ginja, Jóia, Palalita,

    Taretachota, Taricha.

     

    5

    Arganil e Alfaiata,

    Galego, Grilo e Gata,

    Couve Couxa, Carquejal,

    Beiça, Bruto, Bacalhau,

    Carulho, Cara de Pau,

    Meio-Litro, Natural.

    6

    Diabo e Marinhais,

    Mágoa, Mokuna, Nadais,

    Saramago, Sem Pescoço,

    Cara Suja e Carica,

    Balalaica, Neco, Bica,

    Quilhocas, Doutor Caroço.

    7

    Carrucho, Pincha, Craveiro,

    Esfola Gatos, Azeiteiro,

    Cica da Borra, Charela,

    Falifa, Fadango, Fole,

    Panela, Maduro, Sol,

    Perra, Policia, Varela.

    8

    Sapata, Severo, Micas,

    Servata, Saboga, Nicas,

    Borracho, Machorro, Rato,

    Mestre, Melro, Manelão,

    Zé Padre e Sacristão,

    Zé Chofer, Fala Barato.

     

    9

    Zé gordo, Zampa, Zibrina,

    Vila Verde, Vitamina,

    Arraia, Giga, Zezão,

    Rói Merda e Retornado,

    Lainço, Açorda, Passado,

    Ilha, Abóbora, Baião.

    10

    Marganiça, Maçacoco,

    Seda, Sujo e Recoco,

    Fado Novo, Farinheira,

    Bochecha, Bonga, Canhoto,

    Alho, Mija e Piloto,

    Lexívia e Lavandeira.

    11

    Reco-Teco, Carapuça,

    Perna-Atrás, Pedro Lambuça,

    Ruça, Razões e Caréu,

    Calento e Caralhana,

    Pé de Rodo e Parrana,

    Vaca, Vicio e Piréu.

    12

    Guerra, Pateta, Póquita,

    Laulila, Tirabolita,

    Toureiro e Periquito,

    Meta, Veloz e Canum,

    Bagaceiro e Capadito.

     

     

    13

    Cuca, Chicharo, Pistola,

    Coelha, Pancho, Parola,

    Brutamontes, Chuta, Coxo,

    Cambóia, Mouco, Doninha,

    Mal Casado, Trigolinha,

    Alcofa, Pinto e Mocho.

    14

    Girassol, Gancha, Feião,

    Pipi-Eléctrico, Ingrão,

    Penacha e Parvalhaça,

    Bichaneira e Branquinho,

    Bronze, Mona e Passarinho,

    Nino, Barrão, Caralhaça.

    15

    Verruga, Cimento Armado,

    O Alavanca, o Torrado,

    Sarra Cornos, Cheira Lata,

    Come Tudo, Chica Boa,

    Ti Luiso, Alagoa,

    Santo Antoninho, Batata.

    16

    El Rodriguito, Miola,

    O Sobe e Desce, o Chirola,

    Salabardo, Ventaneira,

    Verdade, Quinze, Gaiteiro,

    Marzia e Nevoeiro,

    Maconca e Macieira.

     

    17

    Grande, Airoso, Tentilhão,

    Gago, Mudança, Mação,

    Sapa, Tição, Zé Pincel,

    Fresca, Malóis e Boneca,

    Nossa Senhora, Careca,

    Lontro, Arroja e Pastel.

    18

    Morte Branca, Travadinha,

    Mata o Pai e Avezinha,

    Menino de Deus, Párrita,

    Pim-Pim, Veneno, Tambor,

    Esticadinho, Pastor,

    Champalimaud, e Paíta.

    19

    Pilha Galinha, Viola,

    Zé dos Macacos, Pichola,

    Tarruta, Casamenteira,

    Lisboa e Carguilenha,

    O Titilirute e o Nhenha,

    Forja, Peles, Brasileira.

    20

    Bago de Milho, Africano,

    Zé das Obras e Cigano,

    Zé Ruim, Ralo, Ti Tonho,

    Renana, Miga, Palmeta,

    Bota Abaixo, Rabaneta,

    Pé Torto, Pêra, Zé Gonho.

     

    21

    Lembel, Quimbrão e Lavada,

    Chibanga, Gato, Cagada,

    Zé Trinta, Xicão, Tosquinha,

    Kopa, Arego, Fura-Feno,

    Rabé, Pegacho, Sereno,

    Cicharro, Estoque, Galinha.

    22

    Vareta, Triste, Pirisca,

    Paneireiro e Petisca,

    O Concertina, o Moita,

    Seruga e Rés do Chão,

    Salitrosa, Narigão,

    Picha de Lata, Mosquita.

    23

    Vadio, Porrete, Actual,

    Marranconho, Carnaval,

    Chavelharia, Lapão,

    Pivete, Alcorriol,

    Alistar, Zé Bom, Macol,

    Vira Milho e Picão.

    24

    Cu da Mula e Gigante,

    Grincho, Tapada, Presante,

    Bate Estacas, Albardeira,

    Bonanza, Insiste, Pau Preto,

    Manha, Faísca, Gineto,

    Abrenúncio, Cascalhe ira.

     

    25

    Tubarão do Tejo e Bola,

    Zé Velho, Ameixa, Carola,

    Calça Arregaçada, Marquês,

    Piquinha e Sabichão,

    Catrino e Zé Mancão,

    Preta, Pachão e Inglês.

    26

    Talvez haja outras tantas,

    Mas ninguém sabe quantas

    Há ao certo por ai,

    Por ser já bonita a conta

    Dou a lista como pronta,

    Vamos ficar por aqui!...

     

     

     

     

                                                                 de: DIAMANTINO ALMEIDA